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Dr. Antonio Sproesser – Médico de Família / Qualidade de Vida

Entendendo os benefícios do exercício

Por: Antonio Sproesser – Médico de Família / Qualidade de Vida

Quis separar este tema pela sua importância e notoriedade. Está comprovado que o exercício físico, diminui o risco em adquirir-se doenças cárdio-circulatórias, por aumentar a capacidade funcional cardiovascular fazendo com que o coração necessite de menos oxigênio para trabalhar. O benefício deste já está comprovado no controle do diabetes, obesidade e hipertensão arterial. Minha experiência baseada na clínica privada e também na vida universitária é de que conseguimos baixar de 20 a 25 mmHg na pressão sistólica e diastólica, em indivíduos que iniciem uma atividade física diária. Isto é reproduzido em trabalho científico.

Se compararmos 2 grupos distintos de indivíduos, o que se exercita diariamente e o que não. A mortalidade, é maior no grupo que apresenta vida sedentária. A pessoa sedentária, aderindo a um programa de atividade física, obtêm os melhores resultados para a redução da mortalidade. Estes efeitos são obtidos quando se alcança 40 a 60% de melhora na taxa do VO2.

Observamos também que pessoas que tiveram infarto agudo do miocárdio, quando iniciaram um programa de reabilitação com atividade física, a sobrevida aumentou de maneira importante. Dois estudos publicados, um no Jama de 1988 (Journal of the American medical Association) e outro no Circulation de 1989, comprovaram este fato. Níveis sanguíneos de colesterol e triglicérides (gorduras) aumentados, podem ser controlados mais facilmente com o exercício associado à uma dieta orientada.

Talvez o maior benefício que a prática esportiva confere é a “ regressão da doença aterosclerótica”.

Vários trabalhos demonstram que pessoas portadoras de doença aterosclerótica (obliteração ou entupimento dos vasos sanguíneos por gordura e cálcio) quando iniciam um programa de "mudança de comportamento" traduzido por controle do peso, redução de gorduras do sangue, mudanças no hábito de fumar associado a atividade física, podem fazer regredir a doença causada pela aterosclerose. Novamente eu volto a chamar sua atenção: "só é doente quem quer".

"O sedentarismo é responsável pelo maior número de mortes causadas por doença cardiovascular" . Por favor, não faça parte desta estatística. O exercício físico aumenta o débito cardíaco, ou seja, a quantidade de sangue que é bombada para fora de seu coração. Quanto mais sangue ele bomba, mais oxigênio para seus músculos trabalharem. As funções respiratória, metabólica, hormonal e neurológica, têm um grande benefício a partir da prática do exercício.

Com a prática diária do exercício físico o músculo cardíaco passa a necessitar cada vez menos de oxigênio; este é um fator positivo para aquelas pessoas que sofrem do coração, pois com o condicionamento físico, a irrigação dos vasos sanguíneas aumenta a freqüência cardíaca diminui. Cada batimento cardíaco "economiza oxigênio". O condicionamento físico também altera o metabolismo de carboidratos e do HDL-colesterol (HDL é uma sigla em inglês que significa high density lipoproteins, lipoproteínas de alta intensidade).

Esta fração do colesterol é responsável pelos efeitos benéficos, ou em linguagem popular, é o colesterol bom, "limpa os vasos sanguíneos".

Na conceituada revista médica "New England Journal of Medicine" de 1995 e no Jama - Journal of the American Medical Association de 1985. Trabalhos mostram e exemplificam claramente que o exercício físico, como correr, aumenta o HDL e distribui melhor a gordura corpórea.

A distribuição de gordura abdominal no corpo é alterada pelo exercício levando a uma diminuição na mortalidade. Comprovou-se que indivíduos que apresentam somente gordura acumulada na parte abdominal são os que correm maiores riscos de apresentarem doenças como infarte, diabetes e hipertensão arterial. Efeito notório também se faz presente na sensibilidade à insulina. Diabéticos necessitam menos insulina e alguns pacientes com tendência a obesidade ficam muito mais controlados. Já está documentado o efeito preventivo do exercício em relação à osteoporose e ao câncer do cólon. Além dos exercícios aeróbicos, quero lembrar que os exercícios de resistência (pesos), são muito importantes para os indivíduos acima de 60 anos. Embora tenha em efeito modesto na prevenção de doenças de risco, conferem benefício quanto ao metabolismo de carboidratos e no metabolismo basal. O os exercícios de resistência são benéficos aos músculos, ossos, previnem e reabilitam doenças músculo-esqueléticas. Nos idosos esses tipo de exercício é seguro e serve para melhorar a flexibilidade e qualidade de vida.

Nossos pulmões, entre os 20 e 80 anos de idade diminuem a capacidade ventilatória entre 5% a 15% por década. Se mantivermos um programa aeróbico constante, esta queda é alterada. Ou seja, indivíduos idosos podem manter uma capacidade ventilatória comparada a pessoas mais jovens.

Constatou-se também que homens e mulheres de meia idade que durante o trabalho movimentam-se mais intensamente, a incidência de doenças nas artérias coronárias foi bem menor. Um assunto que tenho estudado muito recentemente é a relação entre exercício e aspectos psicológicos. Indivíduos sedentários foram comparados àqueles que exercitavam-se. Constatou-se que estes últimos eram mais bem ajustados, aplicaram-se melhor em testes de função cognitiva, mostraram melhor resposta cardiovascular ao estresse, e sentiam menos sintomas de ansiedade e de depressão. Pessoas ativas quando tornam-se inativas, passam a ter 1.5 vezes mais chances de tornarem-se depressivas em relação àquelas que mantém-se ativos.

Estudos também comprovam o efeito benéfico da atividade psicológica. O exercício reduz a depressão em homens saudáveis e indivíduos cardíacos, ou nos casos depressão já instalada o exercício também aumenta a auto-estima e autoconfiança, diminui a resposta neuro-humoral e cardiovascular ao estresse, e melhora o comportamento de pessoas com personalidade do tipo A. Apesar dos benefícios físicos e psicológicos do esporte, o programa a longo prazo é problemático. Estima-se que, manterão o hábito por mais de seis meses, somente 50% das pessoas que iniciam um programa de atividade física. A não-adesão é importante, porque os benefícios só existem se o exercício for praticado continuamente. Quero colaborar neste aspecto, fazendo com que você inicie uma atividade, modifique seu comportamento, aproveitando assim os benefícios advindos do esporte.